Os escondidinhos da Mistral no Hyatt
Estou vendo todo mundo comentar, então eu vou também na onda.
Na degustação oferecida pela Mistral no Hyatt nesta última segunda feira, chamou minha atenção algumas coisas que vão além dos vinhos que lá estavam. Me vi influenciando e sendo influenciado no gosto dos outros. Era a evidência do ser humano na melhor de suas expressões, forte em turma onde é fraco quando solitário. Mas nem por isso injusto, obrigatoriamente tendencioso, levado a analisar na solidão do quarto de um hotel, dispensando todos os in puts da vida, como ambiente, comida e companhia. Uma solidão que ela também interfere na avaliação do vinho, produto social por excelência.
O Livio Felluga, um produtor do Friuli, veio disposto a defender com unhas e dentes seus vinhos feitos de uvas regionais, eventualmente não tão autóctones assim, mas longe da mesmice - os Refosco e Sossó, belezas puras.
O Luiz Horta, eu e mais a torcida do Flamengo, adoramos o Tokai feito pelas mãos do Vega Sicilia.
O Dr. Burkin trouxe um Pinot Noir que talvez você nem tenha se dado tanta conta, porque a garrafa, a apresentadora e todos nós que não falamos alemão, estávamos tímidos acreditando que eles só sabem fazer vinho branco. Mentira, seu pinot - que não é tão baratinho assim - dá o troco nos franceses que fazem o que querem, e muito bem feito, com as uvas alemãs e engarrafam pinot noir tão bom ou melhor que os da Alsacia vizinha, comparável a borgonhas médios, com pretensão baixa.
O Catena Zapata enganou todo mundo e trouxe um vinho branco mais encantador que os tintos de linha - O seu Catena Alta Chardonnay é surpreendente mesmo para quem passa cheque em branco para a bodega da pirâmide mendozina. O próprio diretor presente empolgou-se com a minha empolgação e me tascou uma dose de Nicolás, que imagino estivesse à disposição de alguns tantos...
Sem novidades, o Cà del Bosco, ao menos no que tange a seu rosé cuvée prestige. Vai fazer vinho espumante lá em Reïms, meu deus! É champagne rosé como metade dos caras originais são incapazes de fazer. Mas, mais legal que isso, para o meu distinto paladar é o tal de CurteFrancia, Terre de Franciacorta, uma brincadeira bordolesa que vai muito bem. Logicamente, como faço sempre, reclamei da ausência do velho e bom Pinero, e ele me mandou reclamar com a pessoa certa, o Lila e não ele, que continua produzindo o vinho querido.
Sobre o Lila, duas coisas - para rebater minha reivindicação de trazer novamente grignolino - que tanta falta nos faz - apresentou-me uma raridade, um tempranillo branco, provavelmente esperando que meu encantamento com o dito cujo o liberasse para afazeres mais nobres e rentáveis que a minha companhia reclamona. A verdade é que a tática funcionou, fiquei lá ouvindo a novidade, uma geração espontânea de um novo ramo da vitivinífera que não para de se diversificar.
Recusei os óbvios, a não ser raras exceções. Fui ao Gandarella do Masi e não a qualquer dos mais famosos da casa vêneta.
Mas falando em obviedades, nem todo óbvio te deixar passar imune, como é o caso do Gewurzstraminer Brand de Turckheim da Dopff au Moulin é ótimo, mas e daí, este não tem nada de escondidinho, todo mundo sabe e ele está na cara de todo mundo para provar ou do Vosne Romanée do J.Drouhin ou do BIN 407 da Penfold ou os belos da Lapostolle.
Fora de qualquer ordem crescente, elegendo os vinhos que poderiam surpreender e deixando de lado muitos grandes, cheguei aos últimos que quero citar, porque como o Luiz Horta, gosto das listas, mas não tenho muito aptidão para elas não: o Rosso de Montalcino da Altesino, o Dehesa La Granja e o Baluarte Verdejo do Julian Chivite são os me pegaram na contra-mão.

1 Comments:
Gostei.
Hum, falando em Tokai, acho que minha cunhada vai trazer dois pra mim da hungria esse julho. Te chamo.
Dá uma olhada no meu novo Blog, estou postando as coisas que estão saindo nas revistas e no Portal. No próximo mês vai sair um artigo sobre harmonização de comida e vinhos.
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