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21/04/2010

O direito a mudar de pista

19 de abril de 2010, 14,30h. Avenida Rebouças, no trecho entre as Ruas Capitão Antonio Rosa e Joaquim Antunes. Velocidade média dos carros, nas duas pistas - 8km/hora, provavelmente devido ao engarrafamento provocado pelo afluxo dos carros que entram na Rebouças vindos da Joaquim Antunes / Rua dos Pinheiros. Velocidade média dos ônibus e taxis - 40km/hora. Velocidade média das motos entre as duas pistas dos carros - 60 km/hora. Freqüência das motos por minuto (FMM) - 28.

Uma senhora dirigindo um Renault Sendero beige - e não é aqui o lugar de discutir o bom gosto da cidadã - atreve-se a sair da pista onde estou, a que ocupa o espaço mais próximo da faixa exclusiva de ônibus, para ocupar um lugar apertado na outra pista, com o intuito de pegar a Joaquim Antunes a direita.
Fez a manobra corretamente, ou seja, esperou o fluxo de 40 motos seguidas, aproveitou o lapso de algumas frações de minuto para - não sem antes acionar corretamente o pisca-pisca -  e mudar de pista, sem contudo desobstruir a via das motocicletas.

Um enxame de motos fez-se notar em torno da senhora, muitos dos profissionais em questão apurados no tempo pois devem cumprir várias tarefas nas duas horas que cobrem cada saída sua. Com isso, clamam contra a incivilidade da senhora, da ousadia de ter saído de uma pista para a outra, de ter atrapalhado o fluxo natural dos cidadãos que trabalham de moto.

Grito - só vocês podem andar? Não posso mudar de pista jamais?
Ouço a resposta -
1. Vai dirigir na cozinha!
2. Pode mudar desde que não atravanque, seu filho da puta!
3. Eu te arrebento o espelho retrovisor

Os motos-trabalhadores, estes dignos funcionários que garantem a entrega de coisas cada vez mais inúteis São Paulo afora, mas também de remédios necessários e urgentes, garrafas de vinho entregues a tempo, além de outros apetrechos portáteis, limitam profundamente a liberdade que se costumava ter em avenidas.
As "otoridades" urbanas não conseguem força política para inibir o evidente descalabro que é motos passando entre carros a uma velocidade várias centenas de vezes superior ao dos carros, colocando em risco suas vidas, frágeis seres humanos cuja única defesa é uma buzina que faz pi -pi -pi.

Uma pista costumava ser uma pista, um indício, uma aposta. Passou a ser um palco de crimes,tragédias e conflitos sociais.

Por mim, proibia o andar da nobre carruagem de duas rodas entre-carros nas grandes artérias e proibia totalmente sua circulação nas marginais.

Mas quem sou eu?

Enquanto uma regulamentação melhor não chega, faço o possível para civilizadamente disciplinar-me e timidamente lançar mão do pisca-pisca como arma para trocar de pista... Quando a vontade primeira e selvagem é ter como arma o lado mais grosso e pesado do taco de bilhar (versão brasileira da grande arma americana, o taco de baseball)...

3 Comments:

At 4:15 PM, Anonymous Anônimo said...

Breno,

Tempos modernos ... já não há respeito, civilidade, tolerância, paciência, educação, limites ...
Vai piorar com o tempo, pois as neuroses coletivas vão perturbando cada vez mais as individuais e vice versa ...

Godoy

 
At 7:43 PM, Blogger amizade said...

gostei muito do que li. Voce é muito bom nisto. Alias, outro dia reli o que escreveu a meu respeito no processo para a comissão de anistia, queira te agradecer... bj guida

 
At 10:25 AM, Blogger Goya said...

Breno, mas tem um problema, as motos andando atrás dos carros seria um outro inferno. Acredito que teria que educar esses donos das ruas.

 

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